SEVEN - OS SETE CRIMES CAPITAIS (1995)
"SEVEN"
Dir. David Fincher
Brad Pitt
Morgan Freeman
Kevin Spacey
A verdadeira arte faz pensar! Os fãs xiitas de "filmes de arte" dirão que nada com escopo cultural e filosófico pode vir do cinema hollywoodiano; eu os desminto, e convido todos a ver (e rever) este thriller policial, cru e visceral, que, na realidade, é apenas a casca de uma obra muito maior, que discute nossa sociedade pós-moderna e alienada.
O roteiro de Andrew K. Walker mergulha o espectador em uma bela trama, que, embora tenha já determinado o prazo de sete dias para terminar (já que este é o tempo restante do detetive Somerset, vivido por Morgan Freeman, tem até sua aposentadoria); o escritor, no entanto, não tem medo de nos apresentar o caráter dos personagens, seja nas cenas do crime - como na em que Somerset, ao chegar num apartamento em que o marido acabou de assassinar a esposa e cometer suicídio, pergunta: "O garoto assitiu?" - sendo que o outro policial responde: "Que diabos de pergunta é essa?... Quem se importa!?" - Ora, Somerset se importa, ao contrário da maioria ao ler uma manchete policial - seja levando os personagens para fora da investigação, como no jantar na casa do detetive Mills (Brad Pitt), proposto por sua esposa Tracy (Gwyneth Paltrow), onde apenas através de olhares e insinuações, sabemos que a relação do casal vai mau, o que, se levarmos em conta outros títulos do mesmo gênero é incomum.
Encontrar roteiristas e diretores realmente interessados em contar um história têm sido uma tarefa dificílima, nos últimos vinte anos, praticamente um ato de puro garimpo. Mas, ainda há aqueles que fazem o "sistema" trabalhar em seu favor, como é caso dos diretores David Fincher, Jon Favreu, Peter Jackson, Paul Thomas Anderson, só pra citar alguns.
Nesta fita que teria virado algum terror adolescente na mão de muitos, Fincher faz uso da estética do feio, aproveitando as entrelinhas do roteiro de Walker, para criar uma obra que contesta a sociedade atual, colocando em cheque toda a frieza e apatia como que levamos nossas vidas, bem como da mesma maneira encaramos a Vida, como um todo.
A paleta cinzenta que predomina no longa; os personagens e lugares decadentes e sujos; a chuva que ao invés de lavar a sujeira, só faz acumular a lama e o lixo nas sarjetas. O pecado em todo lugar! Ora, mas não existe pecado - sou agnóstico - e não existe ninguém no mundo que possa julgar se estou agindo corretamente ou não... As crianças estão assistindo a tudo isso, e, não falo só da violência física, mas da violência moral e ética. Que moral? Que ética? O que é ética, afinal!?
Afinal, fala-se muito em tolerância, mas, até que ponto esta tolerância tão apaixonadamente apregoada torna-se uma permissividade destrutiva? Em uma das falas do assassino serial, vivido por Kevin Spacey, ouvimos: "... as pessoas estão tão apáticas, que, para lhes chamar a atenção, não dá mais para dar um tapinha nas costas, tem que acerta-las com uma marreta!" - Bem, eu não seria tão drástico, porém, há de se concordar que nossa sociedade atual não é a mais humanística da história da humanidade, se é que me entendem... Quando falo em permissividade destrrutiva, logicamente, não me refiro a aceitação dos direitos cívicos e humanos, mas, a nossa paulatina "vista grossa" às coisas que têm deteriorado nossa cidade e nosso convívio.
Há dois dias atrás, chorei! Chorei ao ouvir um relato de adultério, entre três pessoas que desconheço completamente: o namorado leva sua amante para seu apartamento, os dois transam, ela a apressa para que sua namorada não os encontre ali, pois, logo ela chegará... Daria até um bom conto de Rubem Fonseca, eu talvez teria rido de tal ficção, mas, esta surrealidade é real.
A pessoa que me contou o fato admirou-se de meu comportamento tão "sensível". Ela me disse que não compreendia como alguém poderia se entristecer diante de uma ato que não lhe afetava diretamente, até porque, eu havia lhe explicado que não era o ato específico, sei o quanto temos uma capacidade inata à crueldade e a vilânia, mas, ao fato de que ao ouvirmos todos os dias coisas do gênero damos às costas, não nos importamos, não foi com a gente!
Afinal, a impunidade impera! Não estou me julgando isento e acima de qualquer julgamento, isso me entristece ainda mais, sei que sou tão vil e apático quanto todos... Nessa sociedade que permite tudo, em que não há mais certo ou errado, em que a subjetividade ursurpou nosso senso comum. Dizer que algo está errado é ser intolerante hoje.
Não sou um assassino serial, mas, como o personagem de Spacey, eu queria apenas não ter que compartilhar e co-participar dos crimes desumanos contra a verdade...
O roteiro de Andrew K. Walker mergulha o espectador em uma bela trama, que, embora tenha já determinado o prazo de sete dias para terminar (já que este é o tempo restante do detetive Somerset, vivido por Morgan Freeman, tem até sua aposentadoria); o escritor, no entanto, não tem medo de nos apresentar o caráter dos personagens, seja nas cenas do crime - como na em que Somerset, ao chegar num apartamento em que o marido acabou de assassinar a esposa e cometer suicídio, pergunta: "O garoto assitiu?" - sendo que o outro policial responde: "Que diabos de pergunta é essa?... Quem se importa!?" - Ora, Somerset se importa, ao contrário da maioria ao ler uma manchete policial - seja levando os personagens para fora da investigação, como no jantar na casa do detetive Mills (Brad Pitt), proposto por sua esposa Tracy (Gwyneth Paltrow), onde apenas através de olhares e insinuações, sabemos que a relação do casal vai mau, o que, se levarmos em conta outros títulos do mesmo gênero é incomum.
Encontrar roteiristas e diretores realmente interessados em contar um história têm sido uma tarefa dificílima, nos últimos vinte anos, praticamente um ato de puro garimpo. Mas, ainda há aqueles que fazem o "sistema" trabalhar em seu favor, como é caso dos diretores David Fincher, Jon Favreu, Peter Jackson, Paul Thomas Anderson, só pra citar alguns.
Nesta fita que teria virado algum terror adolescente na mão de muitos, Fincher faz uso da estética do feio, aproveitando as entrelinhas do roteiro de Walker, para criar uma obra que contesta a sociedade atual, colocando em cheque toda a frieza e apatia como que levamos nossas vidas, bem como da mesma maneira encaramos a Vida, como um todo.
A paleta cinzenta que predomina no longa; os personagens e lugares decadentes e sujos; a chuva que ao invés de lavar a sujeira, só faz acumular a lama e o lixo nas sarjetas. O pecado em todo lugar! Ora, mas não existe pecado - sou agnóstico - e não existe ninguém no mundo que possa julgar se estou agindo corretamente ou não... As crianças estão assistindo a tudo isso, e, não falo só da violência física, mas da violência moral e ética. Que moral? Que ética? O que é ética, afinal!?
Afinal, fala-se muito em tolerância, mas, até que ponto esta tolerância tão apaixonadamente apregoada torna-se uma permissividade destrutiva? Em uma das falas do assassino serial, vivido por Kevin Spacey, ouvimos: "... as pessoas estão tão apáticas, que, para lhes chamar a atenção, não dá mais para dar um tapinha nas costas, tem que acerta-las com uma marreta!" - Bem, eu não seria tão drástico, porém, há de se concordar que nossa sociedade atual não é a mais humanística da história da humanidade, se é que me entendem... Quando falo em permissividade destrrutiva, logicamente, não me refiro a aceitação dos direitos cívicos e humanos, mas, a nossa paulatina "vista grossa" às coisas que têm deteriorado nossa cidade e nosso convívio.
Há dois dias atrás, chorei! Chorei ao ouvir um relato de adultério, entre três pessoas que desconheço completamente: o namorado leva sua amante para seu apartamento, os dois transam, ela a apressa para que sua namorada não os encontre ali, pois, logo ela chegará... Daria até um bom conto de Rubem Fonseca, eu talvez teria rido de tal ficção, mas, esta surrealidade é real.
A pessoa que me contou o fato admirou-se de meu comportamento tão "sensível". Ela me disse que não compreendia como alguém poderia se entristecer diante de uma ato que não lhe afetava diretamente, até porque, eu havia lhe explicado que não era o ato específico, sei o quanto temos uma capacidade inata à crueldade e a vilânia, mas, ao fato de que ao ouvirmos todos os dias coisas do gênero damos às costas, não nos importamos, não foi com a gente!
Afinal, a impunidade impera! Não estou me julgando isento e acima de qualquer julgamento, isso me entristece ainda mais, sei que sou tão vil e apático quanto todos... Nessa sociedade que permite tudo, em que não há mais certo ou errado, em que a subjetividade ursurpou nosso senso comum. Dizer que algo está errado é ser intolerante hoje.
Não sou um assassino serial, mas, como o personagem de Spacey, eu queria apenas não ter que compartilhar e co-participar dos crimes desumanos contra a verdade...

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