MACBETH
(Macbeth, 1971)
Direção: Roman Polanski
Jon Finchi
Francesca Annis
Martin Shaw
Terence Bayler
Roman Polanski é um mestre na arte de criar tensão e suspense, enredando o espectador por tramas bem trabalhadas, sem gratuidade, com um gosto apurado para imagens sinergéticas (que com a soma de elementos fotográficos, narrativos, sonoros, etc; criam um sensação e experiência, ímpar), opta quase sempre por planos amplos, meio à la Orson Welles, em que tudo na cena tem importância. Bom exemplo é "Busca Frenética" (Frantic) de 1988; neste, durante a cena em que o personagem de Harrison Ford toma uma ducha, vemos sua esposa atendendo o telefone, ela lhe direciona olhares enigmáticos, tenta chamar-lhe a atenção e sai de cena, tudo isso ao fundo, com Ford em primeiro plano tomando banho e o som constante do chuveiro... Você sabe, mesmo sem ter lido a resenha do filme, que algo vai dar errado!
Escolhi falar de Macbeth, por tê-lo assistido recentemente, vendo o filme com uma nova ótica, após ler um pouco sobre a vida do cineasta, mas, meu objetivo aqui não é falar sobre sua biografia, tão somente especular (assumo) sobre um fato trágico de sua vida relacionado a este filme.
Em 1969, a atriz Sharon Tate, esposa de Polanski, então grávida de 8 meses, foi brutalmente assassinada em sua casa junto com amigos que a visitavam, pelos sádicos da "famíla" Manson. Polanski estava, à epoca, em Londres finalizando um de seus filmes (até hoje não descobri qual).
Em 1969, a atriz Sharon Tate, esposa de Polanski, então grávida de 8 meses, foi brutalmente assassinada em sua casa junto com amigos que a visitavam, pelos sádicos da "famíla" Manson. Polanski estava, à epoca, em Londres finalizando um de seus filmes (até hoje não descobri qual).

Polanski sofreu não só com a perda de seu amor, mas da maneira como a imprensa da epoca tratou o caso: como sempre fazem, com grande sensacionalismo! Sendo que alguns tablóides chegaram até a publicar teorias absurdas de que a própria Sharon fazia parte de um culto de adoração ao diabo... Polanski sentiu-se mal por estar longe, durante a tragédia, alegando mais tarde que o "trauma da morte de Sharon" foi o que mais lhe marcou (Polanski, quando criança, viveu num gueto para judeus, durante o holocausto, viu a mãe ser levada para morrer na câmara de gás).

Tate
Em 1971, Polanski voltou pra trás das câmeras, adaptando a tragédia de Shakespeare. Seu Macbeth deve ser uma das mais sangrentas releituras do dramaturgo, senão A mais sangrenta, não perdendo nem para o excêntrico (diga-se estranho) "Titus", de 1999, da diretora Julie Taymor (que têm predileção por cenas teatrais e oníricas). Em sua versão lorde e lady Macbeth são retratados como belos e ambiciosos jovens. Macbeth (Jon Finch), um valoroso herói de guerra, recebe a profecia de três bruxas de que se tornaria rei, e, seu amigo Banquo (Martin Shaw) pai de uma linhagem real. A profecia mexe com o jovem ambicioso, que, com sua esposa trama a morte do rei da Escócia, fazendo recair a culpa sobre os príncipes. Ascendendo ao trono Macbeth não têm paz, no entanto. Torna-se um déspota, passa a ser assombrado por fantasmas de rei passados, enxerga conspiradores por todos os lados, contrata a morte de seu melhor amigo e ordena a dizimação da família de seus opositores.
E é justamente dessa cena que quero falar. A esposa de Banquo (Terence Bayle) banha com carinho seu filho, os dois conversarm despreocupados, um grito feminino de horror, dois homens entram no recinto, provocações e violência, o garoto reage e é apunhalado: "Mother, he killed me!" - sangue escorre pelas mãos da mãe, ela corre pelos corredores do castelo, vê uma serviçal sendo estuprada por três homens, adentra uma sala e vê outras duas jovens mortas, nuas, ensanguentadas... A posição de uma delas é idêntica a que Sharon Tate foi encontrada.
O produtor questionou Polanski, a epoca, da quantidade de sangue que ele usou na cena, o cineasta replicou-lhe: Você viu como ficou a minha casa!? - Roman ajoelha-se para "ensanguentar" o rosto de uma garotinha, pergunta-lhe o nome. Sharon, ela responde...
Se no início da fita o casal Macbeth representaria os Polanski: jovens, inconsequentes, alheios a qualquer tragédia; no terceiro ato é MacDuff quem melhor representaria a dor que o diretor sofreu. No campo de batalha, longe de seu lar, ele recebe a notícia do massacre de sua família inteira - "E eu estava longe...", diz - Embora Polanski negue que Macbeth tenha lhe servido como catarse, é difícil não cogitar que o diretor não tenha se "vingado" do assassino de sua esposa via a sua arte.
Jon Finch, ao olhar o exército inimigo que se aproxima, tem um semblante muito semelhante ao de Charles Manson. Será mesmo que Polanski não se viu na pessoa de MacDuff, em fúria incontrolável, quando este decapita o rei ursupador, assassino de sua família?
E quem poderia culpá-lo por tal?
E é justamente dessa cena que quero falar. A esposa de Banquo (Terence Bayle) banha com carinho seu filho, os dois conversarm despreocupados, um grito feminino de horror, dois homens entram no recinto, provocações e violência, o garoto reage e é apunhalado: "Mother, he killed me!" - sangue escorre pelas mãos da mãe, ela corre pelos corredores do castelo, vê uma serviçal sendo estuprada por três homens, adentra uma sala e vê outras duas jovens mortas, nuas, ensanguentadas... A posição de uma delas é idêntica a que Sharon Tate foi encontrada.
O produtor questionou Polanski, a epoca, da quantidade de sangue que ele usou na cena, o cineasta replicou-lhe: Você viu como ficou a minha casa!? - Roman ajoelha-se para "ensanguentar" o rosto de uma garotinha, pergunta-lhe o nome. Sharon, ela responde...
Se no início da fita o casal Macbeth representaria os Polanski: jovens, inconsequentes, alheios a qualquer tragédia; no terceiro ato é MacDuff quem melhor representaria a dor que o diretor sofreu. No campo de batalha, longe de seu lar, ele recebe a notícia do massacre de sua família inteira - "E eu estava longe...", diz - Embora Polanski negue que Macbeth tenha lhe servido como catarse, é difícil não cogitar que o diretor não tenha se "vingado" do assassino de sua esposa via a sua arte.
Jon Finch, ao olhar o exército inimigo que se aproxima, tem um semblante muito semelhante ao de Charles Manson. Será mesmo que Polanski não se viu na pessoa de MacDuff, em fúria incontrolável, quando este decapita o rei ursupador, assassino de sua família?
E quem poderia culpá-lo por tal?

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